A África do Leão Cecil – O que inspirou a criação do livro em quadrinhos?

A África do Leão Cecil – O que inspirou a criação do livro em quadrinhos?

Na África, o leão Cecil era considerado o símbolo nacional do Zimbábue e uma das principais atrações do Parque Nacional Hwange, o animal tinha os seus passos monitorados por cientistas da Universidade de Oxford, mas no dia 6 de julho, Cecil foi morto por um grupo de caçadores.

Neste caso podemos considerar que o homem foi mais feroz do que o leão, pois o animal vivia em seu habitat, não perseguia seres humanos e a sua existência ajudava nas pesquisas de cientistas. No entanto, o velho e malévolo prazer da caça desnecessária matou um dos maiores símbolos da África e desnorteou os filhotes do leão Cecil por algumas horas.

A morte do leão Cecil foi considerada cruel em todo o mundo, mas o processo que investigava e julgava os fatores da morte foi arquivado em 2016 pela justiça do Zimbábue.

Eu não conheci o leão Cecil pessoalmente. É comum que a presença de um leão cause admiração e medo num ser humano, afinal felinos de grande porte possuem garras, força e velocidade para imobilizar qualquer tipo de presa em poucos segundos, mas desde que o ser humano respeite o animal em seu habitat natural e não cause nenhum tipo de ameaça para a espécie, a convivência (mesmo à distância) entre seres humanos e animais silvestres é possível desde que seja monitorada por guardas treinados.

Não é necessário que o ser homem atue de forma violenta contra um animal herbívoro ou carnívoro para assegurar a sua própria integridade física, pois em casos de alguma reação do animal pesquisadores e cientistas, por exemplo, sabem se afastar ou, no último caso, aplicar anestesiantes de baixo ou médio efeito para acalmar a situação evitando mortes de animais e de pessoas durante uma visitação no meio ambiente que pertence aos animais.

No decorrer da minha infância e adolescência era comum a exposição de leões, onças-pintadas, panteras, elefantes, primatas e outras espécies de animais em caravanas de circos que chegavam na minha cidade ou que viajavam pelas estradas expondo os animais ao estresse visual, à poluição sonora, à fome e doenças que a médio e longo prazo gerava um processo de mal trato dos animais em troca de uma vazia popularidade de espetáculos circenses.

Apesar da curiosidade, em toda a minha infância eu nunca consegui entrar num circo. Quando eu soube da morte do leão Cecil, logo me lembrei dos olhares tristes de todos os leões que vi pessoalmente trancados em jaulas circenses ao passar a pé ou de ônibus perto das instalações circenses. Até hoje, lembro do dia em que um circo recém-chegado para uma curta temporada em minha cidade tentou desfilar com carros, palhaços, artistas e todos os felinos divididos por frágeis jaulas, mas quando aquele curto “comboio” entrou em minha rua, as onças e os leões começaram a ficar agitados quando o carro de som que anunciava o circo para a cidade parou em frente à loja do açougue. Logo, o circo cancelou o desfile gerando risadas e medo nos pedestres.

O olhar triste de cada animal maltratado pelos circos nos anos 1980 e o recente caso sobre a morte do Leão Cecil em 2015, me inspirou a escrever e desenhar o livro em quadrinhos “Oi! O Tucano Ecologista – A África do Leão Cecil” que relata a luta pela proteção do meio ambiente dos animais, que na minha opinião é uma luta também presente em todos os biomas ainda existentes neste planeta.

O livro em quadrinhos está disponível em língua inglesa e portuguesa e permite ao leitor de todas as idades, especialmente as crianças, desenvolver a consciência a favor dos animais e da natureza. A leitura é indicada para os momentos de lazer e para a escola. O livrinho também aborda outras histórias, conheça:

Livro em português: http://loja.oiarte.com/oiarteloja_livro3.html

Livro em inglês: https://www.amazon.com/dp/1980783969 (Amazon)

 

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Mr. Donald Trump, do not say no to the Paris agreement

Mr. Donald Trump, do not say no to the Paris agreement

Your Excellency the President of the USA, Mr. Donald Trump,

Climate change has been affecting the balance of the flora and fauna of our planet Earth; we must remember that our planet is the only one in the solar system that generates and sustains our lives and other living beings, allowing the chemical, physical and biological maintenance and renewal of all living conditions.

Among the several initiatives created in recent years by companies and countries to reduce the impacts of climate change on rich and poor countries, the Paris Agreement, signed on April 22, 2016, during the UNFCCC COP 21, aims to strengthen the joint capacity of countries to reduce the emission of greenhouse gases, contextualizing the means of production of the human economy to a more sustainable economy.

The Paris Agreement, approved by 195 countries, requires the ratification of at least 55 countries responsible for 55% of greenhouse gas emissions, requiring each country’s government to develop national contributions to reduce emissions from social and economic perspectives, locally and globally.

In the international scientific debate, global warming and climate change have as their root causes anthropogenic activities, particularly activities associated with industries, agriculture and extraction processes that emit greenhouse gases harmful to the Earth’s atmosphere in the production processes and the application of chemical inputs that burden the environment, living beings and the atmosphere.

Other groups of scientists claim that climate change and accelerated global warming would only be the result of a cyclical process of planet Earth on its own or the increase in Sun’s activity, but these claims are called into question by the publication of data stating that rapid temperature rise of our planet Earth in less than 100 years would not be the result only of a natural cycle or maintained only by factors external to our planet, although these possibilities exist.

Therefore, human activities maintained by an outdated economy based on fossil fuels and carbon inputs compromise the average temperature of our planet and will dangerously affect the quality of life and survival of all living species on our planet.

It is important to understand that atmospheric pollution, besides contributing negatively to the heating of our planet, also diminishes the quality of the air that we breathe, compromising the cycle of biological renewal of living beings.

We respect the population, sovereignty, and socioeconomic importance of the United States.

We were sad when you decided not to ratify the Paris Agreement.

We understand that your Excellency may, in the future, opt to sign the Paris Agreement for the economic and political benefit of your country in a fair way for your nation, but we ask that you, as President of one of the main economies of the world, one that has always been considered as an example of entrepreneurship and freedom, reflect and seek a solution that is fair to the USA and, equally, fair to all the nations of the world, particularly the poorest and most affected by climate change.

We urge you to sign and ratify the Paris Agreement published in 2016 by presenting technological contributions to consolidate a truly sustainable economy in the means of production by adopting more affordable and cheaper technologies for energy generation, job creation, transport and communication that do not harm nature in the USA and around the world for a better, safer and healthier world.

It is essential that the USA along with the G20 countries also sponsor the planting of 30 million trees worldwide (including respect for existing trees) over the next 10 years.

Respectfully, we can analyze that if you do not sign the Paris Agreement by creating more advanced solutions that truly respect the environment and life, world society will sign the agreement in its place and, through socio-environmental need, it will set new standards for a greener and more inclusive society and economy.

We are moving towards the third decade of the 21st century, a time that requires an increasing participation of civil society in the construction of a world where dialogue is used for the elaboration of shared solutions in favor of the human being and nature.

Planet Earth cannot continue to be destroyed.

As long as you do not sign the document and do not decide to take initiatives in favor of true sustainable growth, more trees are destroyed, more animals are being killed, more greenhouse gases emitted into the atmosphere,and there is less and less future for us and our children and grandchildren around the world.

You, me and all of us are human beings who depend on the good health of our planet Earth.

Without a healthy nature, there is no economy, no politics and no breathing.

Yours sincerely,

Fernando Rebouças / Editor and Cartoonist

http://oiarte.com/

Portuguese version:

Excelentíssimo presidente dos EUA, Sr. Donald Trump,

As mudanças climáticas têm atingido o equilíbrio da flora e da fauna de nosso planeta Terra, devemos lembrar que este nosso planeta é o único do sistema solar que gera e perpetua as nossas vidas e de outros seres vivos, permitindo a manutenção e a renovação biológica, química e física de todas as condições de vida.

Dentre as várias iniciativas criadas nos últimos anos por empresas e países para diminuir os impactos das mudanças climáticas sobre os países ricos e mais pobres, o Acordo de Paris assinado em 22 de abril de 2016, durante a COP 21 da UNFCCC, tem como objetivo fortalecer a capacidade conjunta dos países para a redução da emissão de gases de efeito estufa, contextualizando os meios de produção da economia humana para uma economia mais sustentável.

O Acordo de Paris aprovado por 195 países necessita da ratificação de pelo menos 55 países responsáveis por 55% das emissões de gases de efeito estufa, exigindo que os governos de cada país elaborem contribuições de âmbito nacional para reduzir as emissões a partir de perspectivas sociais e econômicas locais e globais.

No debate científico internacional, o aquecimento global e as mudanças climáticas têm como causas fundamentais as atividades antrópicas, principalmente, as atividades associadas às indústrias, agricultura e processo de extração que emitem gases de efeito estufa nocivos para a atmosfera do planeta Terra nos processos de produção e na aplicação de insumos químicos que sobrecarregam o meio ambiente, os seres vivos e a atmosfera.

Outros grupos de cientistas afirmam que as mudanças climáticas e o aquecimento global acelerado seria resultado apenas de um processo cíclico do próprio planeta Terra ou do aumento das atividades do Sol, porém essas afirmações são questionadas pela publicação de dados que afirmam que a rápida elevação da temperatura de nosso planeta Terra em menos de 100 anos não seria resultado somente de um ciclo natural ou mantido somente por fatores externos ao nosso planeta, apesar dessas possibilidades serem possíveis. Portanto, as atividades humanas mantidas por uma economia ultrapassada baseada em combustíveis fósseis e em insumos provenientes do carbono compromete a temperatura média de nosso planeta e afetará, de modo perigoso, a qualidade de vida e de sobrevivência de todas as espécies vivas de nosso planeta.

É necessário compreender que a poluição atmosférica, além de contribuir negativamente para o aquecimento de nosso planeta, também diminui a qualidade do ar que respiramos comprometendo o ciclo de renovação biológica dos seres vivos.

Respeitamos a população, a soberania e a importância socioeconômica dos EUA. Ficamos tristes quando o senhor decidiu não ratificar o Acordo de Paris. Compreendemos que vossa excelência opte, no futuro, por assinar o Acordo de Paris visando o benefício econômico e político de seu país de forma justa para o seu país, mas solicitamos que o senhor, sendo presidente de uma das principais economias do mundo que sempre foi considerada um exemplo de empreendedorismo e de liberdade, reflita e busque uma solução que seja justa para os EUA e, de forma igualitária, justa para todas as nações do mundo, principalmente, as mais pobres e mais atingidas pelas mudanças climáticas.

Solicitamos que vossa excelência assine e ratifique o Acordo de Paris publicado em 2016 apresentando contribuições tecnológicas para consolidarmos uma economia verdadeiramente sustentável nos meios de produção com a adoção de tecnologias mais acessíveis e mais baratas para a geração de energia, criação de empregos, transporte e comunicação que não prejudiquem a natureza nos EUA e em todo mundo em prol de um mundo melhor, mais seguro e mais saudável. É essencial que os EUA junto com os países do G20 também patrocinem o plantio de 30 milhões de árvores em todo o mundo (incluindo o respeito às árvores já existentes) nos próximos 10 anos.

Respeitosamente, podemos analisar que, se o senhor não assinar o Acordo de Paris com a criação de soluções mais avançadas que, verdadeiramente, respeitem o meio ambiente e a vida, a sociedade mundial assinará o acordo em seu lugar e, através da necessidade socioambiental, ela elegerá novos parâmetros para uma sociedade e uma economia mais verde e mais inclusiva.

Estamos caminhando para a terceira década do século 21, tempos que exigem uma participação cada vez maior da sociedade civil na construção de um mundo que dialogue para a elaboração de soluções compartilhadas a favor do ser humano e da natureza. O planeta Terra não pode ser mais destruído.

Enquanto o senhor não assina o documento e não resolve realizar iniciativas a favor do crescimento sustentável verdadeiro, mais árvores são destruídas, mais animais estão sendo mortos, mais gases de efeito estufa são emitidos na atmosfera e menos futuro teremos para nós e para nossos filhos e netos em todo o mundo.

Eu, o senhor e todos nós somos seres humanos que dependem da boa saúde de nosso planeta Terra. Sem natureza saudável, são existe economia, política e nem respiração.

Atenciosamente,

Fernando Rebouças / Editor e cartunista

Excelentíssimo presidente dos EUA, Sr. Donald Trump,

 

Ecologia Pop

Ecologia Pop

Por Fernando Rebouças

A ecologia popular, na prática, visa ampliar o acesso ao conhecimento ambiental e aos recursos naturais para as comunidades na luta contra a depredação mantida pelo mercado não sustentável e pelo Estado. Geralmente, a ecologia popular é conceituada também como ambientalismo, neste caso podendo abranger ações de cunho político.

A sustentabilidade ambiental tem como base o tripé da sustentabilidade: fator ambiental, político e socioeconômico. A sustentabilidade é um conjunto de planejamento e processos que buscam a renovação das condições ambientais em prol de um resultado satisfatório para o meio ambiente, para as áreas de negócio, social e político sem interferir nas condições da vida de gerações futuras.

O meio ambiente é um patrimônio que pertence a todos, sendo o ser humano responsável pela preservação da biosfera, ecossistemas e biomas que formam as estruturas para a sobrevivência de diferentes espécies naturais, incluindo bem-estar biológico comum. Cabe ao Estado e suas instituições públicas de pleno direito por parte da sociedade elaborar, implementar e fiscalizar ações favoráveis para a preservação do meio ambiente em defesa da fauna e da flora e dos recursos naturais utilizados na transformação de bens econômicos.

Por outro lado, torna-se necessária a popularização de temas ecológicos e culturais relacionados  aos conceitos científicos, impactos ambientais cotidianos, conhecimentos sobre a fauna e flora e demais fatores  que ajudem a compreender como as ações antrópicas interferem no equilíbrio da natureza. O esforço na  popularização da ecologia no dia a dia do cidadão pode ser oriundo de projetos educacionais na elaboração de material didático direcionado para a escola, projetos de ação em campo para estudantes e visitantes de uma determinada reserva ambiental, na elaboração de conteúdo informacional e artístico (literário e visual) didático ou não didático que trate a ecologia e suas questões como temas centrais.

Na área cultural artística, seja por meio do teatro, da literatura, das artes visuais, do audiovisual e das demais formas de expressão artística realista ou imaginária, o processo de identificação com os temas ecológicos e culturais torna-se mais abrangente e menos repetitivo  em virtude do envolvimento emocional que o indivíduo pode desenvolver com determinado conteúdo artístico.  A compreensão de uma questão ecológica através de uma poesia, por exemplo, pode ser mais rápida para jovens e crianças que ainda não possuem pleno acesso à linguagem científica. Enquanto que uma informação de cunho ambiental é objetiva, a arte pode esclarecer as mesmas questões explorando o universo imaginário e emocional do cidadão.

A cultura popular está ligada com a manifestação do conhecimento, signos e demais processos de identificação  criados pelo ser humano e sua transmissão através de comportamentos e atividades artísticas como a dança, música, literatura, folclore, pintura, etc. No contexto da indústria cultural que transforma determinado bem cultural e artístico em produto replicável para a obtenção de retorno social e econômico para o ser criador, a cultura popular também é referida como cultura de massa ou como “cultura pop”.

Porém, uma determinada obra pode ter uma linguagem de cultura de massa, mas ser underground, ou seja, direcionada para determinado segmento e conhecida por menor número de expectadores. Por exemplo, uma banda independente que toca músicas similares a dos Beatles pode não possuir o mesmo reconhecimento que os Beatles obtiveram na história da música pop.

Por outro lado, na área do mainstream (cultura de massa) as peças publicitárias visam posicionar os produtos culturais como pertencentes à “cultura pop” como forma de gerar um significado mais jovem e internacional em comparação ao uso do termo “cultura popular” mais empregado no meio acadêmico e institucional. Porém, ambos os termos são tratados como sinônimos pelos pesquisadores nas áreas culturais.

Na prática, na mente do consumidor de produtos culturais, o termo “cultura pop” designa produtos pertencentes à música pop e seus hits, aos ícones do universo dos quadrinhos, games, cinema, televisão e demais plataformas que ditam conteúdos e comportamentos. A ecologia, compreendida como uma ciência que estuda as relações dos seres vivos e o ambiente em que vivem, pode ser inserida no contexto da cultura popular ou na esfera informacional e mercadológica da cultura pop para popularizar seus temas e questões de modo rápido e efetivo no dia a dia do cidadão e do consumidor de bens culturais.

Nessa perspectiva, podemos designar a “Ecologia Pop” como uma possibilidade mais profunda para disseminar ideias, conceitos e debates a favor da ecologia tornando-a  mais próxima do cotidiano das pessoas, seja se inspirando nos tópicos científicos, nas atualidades, nas observações e demais conclusões que unam aspectos ambientais e culturais na composição de determinado conteúdo artístico-cultural com temática ecológica.

Na presença ou na ausência de efetiva educação ambiental nas escolas, planejamento ambiental nas empresas e governos e do entendimento por parte da sociedade civil, a “ecologia pop” ajuda a elevar o conhecimento do cidadão em relação aos fatores ambientais que implica a vida da sociedade e das condições da natureza de forma segmentada ou transversal. Sendo a ecologia uma ciência pertencente não somente à biologia e ao meio escolar, mas pertencente a todos os ângulos da vida.

Fernando Rebouças é desenhista, publicitário e produtor editorial independente. Autor dos quadrinhos do Oi! O Tucano Ecologista. Este artigo foi redigido e publicado originalmente para o portal do jornal Gazeta News da Flórida, EUA, em outubro de 2017.

Carta para ONU – Desenhista Fernando Rebouças escreve para Ban Ki-Moon

No mês de setembro de 2013, o desenhista e escritor, Fernando Rebouças, autor da turma do Oi! O Tucano Ecologista escreveu carta para Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, solicitando maior atenção para a arte e educação na área ambiental e cultural. Sendo a educação ambiental ainda deficitária na vida da maioria das crianças do mundo, principalmente, no cotidiano escolar das mais pobres, e ausente nas ações dos principais líderes políticos que discutem e decidem sobre as questões ambientais atuais. Leiam a carta na íntegra a seguir.

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Rio de Janeiro, 9 de setembro de 2013

Excelentíssimo Sr. Ban Ki-Moon,

Secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

Sou Fernando Rebouças, desenhista e escritor de histórias em quadrinhos (comics), desenho e escrevo quadrinhos sobre ecologia, cultura e história com muito bom humor e cores para crianças e jovens.

Sou desenhista autor da turma do Oi! O Tucano Ecologista:

http://www.oiarte.com/

http://www.oiarte.com/englishpage.htm

Como desenhista e escritor, sinto uma imensa falta de  educação e arte ambiental mais inclusiva para as crianças e jovens no mundo, principalmente, nos países emergentes e pobres. Devemos considerar que pessoas de diferentes gerações não tiveram educação e arte ambiental em seus tempos de escola, porém muitas pessoas pelo sentimento de conscientização e preocupação com as questões do meio ambiente buscam o conhecimento ecológico por conta própria nos livros e bibliotecas (como eu), outras pessoas ao sentirem a falta da educação e da arte ambiental em suas vidas buscam esse conhecimento por meio de cursos de especialização ou de pós-graduação, se tornando pós- graduados  em ecologia ou gestão ambiental.

Durante séculos e décadas, diferentes gerações viveram sem ter educação ambiental em suas escolas, em suas casas e em suas vidas  profissionais. Durante a realização de grandes debates e eventos ambientais  organizados pela ONU, percebo que parte das autoridades políticas e líderes de países importantes não tiveram a educação ambiental na infância e na juventude.

Hoje, presidentes e líderes de países, que possuem imensa responsabilidade sobre o aquecimento global, mudanças climáticas, geração de energia, gestão de resíduos e demais assuntos ecológicos de grande importância para a nossa atualidade e futuro, não tiveram o conhecimento ecológico, biológico e ambiental como suporte na formação escolar, acadêmica, política e governamental de suas vidas. Antes de serem presidentes e líderes políticos, essas pessoas não tiveram educação ambiental em seus processos de formação. O mesmo ocorre com boa parte dos investidores;  médios e grandes empresários ,  gestores do setor privado de diversas áreas da economia. Os líderes políticos e gestores do setor  privado  da economia são pessoas hábeis em várias áreas do conhecimento, mas, em boa parte,  ainda analfabetos em ecologia e em mudanças climáticas. Esse é um dos fatores  que comprometem  a conclusão  e a assinatura  de acordos favoráveis ao meio ambiente, às questões climáticas e humanas nos eventos organizados pela ONU.

Não estou generalizando, assim como eu e várias pessoas já buscaram e ainda buscam o conhecimento e a arte ambiental  por conta própria ou por meio de cursos de extensão, acredito que parte dos políticos e gestores privados também estejam fazendo o mesmo. Porém, ao observar o nível de diálogo técnico e representativo dos políticos e gestores privados em nível global, a falta de educação e conhecimento ambiental  é visível , principalmente, em conversas nas quais a repetição de conceitos e objetivos primários é um caso que compromete o  entendimento e a conclusão de objetivos mais maduros para o meio ambiente. As necessidades e obrigações do mercado capitalista sempre ficam em primeiro lugar e não são tratadas como consequência de um melhor comportamento do homem com a natureza.

Além de observar a carência de educação e arte ambiental nas gerações anteriores (que hoje ocupa a liderança política e privada em nossas sociedades), também me preocupo com a ausência desse conhecimento ambiental nas crianças e jovens de nosso tempo. Há muito para ser feito a favor de um maior acesso à educação e arte ecológica para  eles. A quantidade de governos e empresas que, verdadeiramente, patrocinam ou incentivam a educação e a arte ambiental ainda não atende às expectativas e demandas das novas gerações.

Peço que a nossa ONU (Organização das Nações Unidas) diga para todos os países e empresas que os melhores documentos e ações favoráveis ao meio ambiente começam pela educação e pela arte. Ensinar com pesquisa, com diversão, com cores, desenhos e histórias que ampliem e , ao mesmo tempo, simplifiquem o entendimento da ecologia no nosso dia a dia. Arte necessária para gerar sensibilidade e reflexão no novo ser humano e na sua relação com a natureza  e com as cidades.

Apresento as seguintes sugestões:

1 – Educação ambiental gratuita para crianças e jovens, principalmente, para crianças e jovens de  classes sociais menos favorecidas, de países em desenvolvimento e pobres.

2 – Inclusão da educação ambiental em todas as escolas infantis e juvenis do mundo.

3 – Aplicação de arte ambiental  e arte pop ambiental (comics, quadrinhos, animação, jogos e sites especializados) para acesso ao conhecimento ecológico de maneira lúdica e divertida para crianças.

4 – Incentivos para governos e empresas patrocinarem e implementarem projetos de conteúdo educacional e artístico para a oferta do conhecimento ecológico e cultural para crianças e jovens.

5- Responsabilizar governantes, entidades políticas e instituições responsáveis pela gestão pública para por em prática projetos de educação, arte e cultura ambiental para crianças e jovens.

Declarações finais

Como referi no início desta carta, sou desenhista e escritor de histórias em quadrinhos ecológicos (ecology comics), e como artista  já busquei ajuda e patrocínios em diferentes empresas e esferas de governo do meu país (Brasil), porém, enfrento a mesma dificuldade que a maioria dos artistas enfrentam. As empresas não demonstram fácil  interesse em patrocinar ou, pelo menos , avaliar um trabalho artístico que aborda a ecologia e a cultural geral de maneira lúdica. A minha arte em quadrinhos aborda as questões  ecológicas com humor , poesia e seriedade;  crio um material bom para ser lido na hora do lazer, na escola e em família pelas crianças e jovens. Mas, percebo a ausência de iniciativas que apoiem trabalhos como o meu, trabalhos artísticos e educacionais em plataformas impressas e digitais que ajudariam  no aceleramento do aprendizado, divertimento e conscientização ecológica. Na maioria dos casos, não sou bem recebido por empresas quando peço ajuda, não sou bem recebido quando peço patrocínio, não sou bem recebido quando ofereço minha arte para instituições do governo, não sou bem recebido quando peço para um grande veículo de imprensa me ajudar a divulgar minhas publicações. Apesar de eu ter meus desenhos publicados em jornais e revistas do Brasil, Moçambique, Inglaterra, EUA e Canadá; de ter livros e revistas com minhas histórias publicadas com muito esforço no mercado editorial independente brasileiro, nem sempre sou bem recebido, e vejo o mesmo acontecer com outros artistas e professores que trabalham com o temas ecológicos e culturais para crianças. Essa situação reforça a minha conclusão: os donos do poder e das empresas são analfabetos, analfabetos em ecologia, analfabetos perante o ar que respiram.

Excelentíssimo Sr. Ban Ki-Moon, peço a sua ajuda. Ajude a educação ambiental, ajude a arte pop ambiental, ajude os professores e escolas que trabalham heroicamente em prol do conhecimento ecológico no mundo. Precisamos mudar as pessoas para melhorar o mundo e salvar o planeta.

 

Peço a sua resposta.

Atenciosamente,

Fernando Rebouças

Desenhista, escritor e editor

Rio de Janeiro – Brasil.

 

 

Site Oiarte.com recebe selo de sustentabilidade

O site oficial do Oi! O Tucano Ecologista , hospedado no endereço http://www.oiarte.com recebeu hoje, o selo “Website CO2 Neutro” concedido a diferentes sites do mundo que trabalham economizando energia e mitigando suas emissões de CO2. Tradicionalmente, o site Oiarte.com é hospedado em horários de menor pico no servidor e na demanda de energia elétrica. Os desenhos são escaneados por meio de scanners ecológicas que dispensam o uso da energia elétrica adicional. No ato de criação e edição dos quadrinhos ecológicos, há a preocupação do papel não ser desperdiçado. Na impressão dos gibis e livros, os mesmos recebem papel certificado dentro das gráficas. Pequenas ações que somadas ajudam a manter uma arte ecológica em sua mensagem e no seu processo de materialização.

certificado_siteneutro_2013

Veja no link: http://www.co2neutralwebsite.net/crt/dispcust/c/2929/l/13

Visite o site: http://www.oiarte.com/

O Novo Código Florestal

Fonte da foto: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo

 

As pessoas me perguntam sobre a minha opinião a respeito do Novo Código Florestal. Apesar do aparente esforço do governo federal de vetar tudo ou quase tudo pelas pendências científicas e sociais que o próprio Código apresenta em sua composição, o considero um documento  de visão sustentável parcial e padronizado.

O Código Florestal Brasileiro deveria, desde o seu ponto inicial, escutar mais os nossos cientistas e acadêmicos a respeito do comportamento dos microclimas, das espécies da fauna e flora (biocenose), da capacidade de regeração do biótopo (solo, água, luz e ar) em nossos diferentes biomas.

Segundo pesquisas de cientistas e biólogos especializados, uma espécie que vive às margens de um rio na Amazônia pode se comportar de maneira diferente de uma outra espécie que vive às margens de um rio na Mata Atlântica, considerando desde o seu habitat, hábitos alimentares e interação com o meio e demais espécies. Portanto, delimitar a proteção das matas ciliares (vegetação existente nas beiras dos rios, em linguagem popular) somente pelo metro quadrado é uma visão somente espacial, cabível a qualquer engenheiro, distante da visão ecológica verdadeiramente interessada em defender o nosso verde e o berço de nossas espécies.

Ter rios caudalosos confere ao Brasil a não carência de água potável para sua população e atividades econômicas, mas a manutenção desses rios depende da proteção das matas ciliares, cobertura vegetal capaz de manter o desenho original dos rios, a saúde dos solos e a renovação de seus nutrientes. Porém, não existe vegetação sadia sem animais, agentes que colaboram diretamente com a qualidade do solo quando depositam suas fezes no “chão”, quando controlam o avanço das “pragas” ao se alimentarem de insetos e com a polinização ajudando  a espalhar sementes quando mastigam folhas e frutos.

Não poluir os nossos rios com lixos e esgotos é outro fator preponderante para o Brasil continuar ocupando o lugar de país das águas. Essa questão hídrica é apenas um pequeno exemplo do desamparo que o Novo Código Florestal brasileiro poderá gerar nos próximos anos. Qual é a visão ecológica e biológica existente na lei? A floresta é vista somente pelo  espaço que ocupa?

Da mesma maneira que para redigir um novo Código Penal o país reúne juristas e acadêmicos da área do Direito, por que não reunir uma mesa permanente de biólogos, zoólogos, gestores ambientais e pesquisadores para ocupar a bancada do Congresso por alguns dias com o propósito de esclarecer as mentes dos líderes políticos? Os nossos políticos conhecem a História Ambiental e Ecológica do Brasil? Essa matéria é bem lecionada nas escolas?

O Código Florestal demonstra preocupação ambiental, o vínculo de proteção, mas falha pela falta de identificação científica e cultural, um documento feito de cima para baixo. Falha ao não aprofundar questões relacionadas à educação ambiental, à arte ambiental e, mais profundamente, à sociologia ambiental (com o tópico da ecologia profunda). O documento relata sobre direitos e deveres,  sobre onde e aonde plantar, sobre a existência ou não existência de um componente visível (como uma floresta), mas esquece da nossa dependência humana e cultural em relação aos nossos biomas.

Se uma lei ou documento é aprovado no Congresso Nacional e pelo nosso executivo máximo, mas sem a aprovação e profundo conhecimento de nossa população e instituições do conhecimento, o documento se torna frágil e de aplicação ambígua na sociedade. Perde representação, principalmente, quando tratado numa visão de pressão  partidária e mercadológica.

É muito bonito falar em sustentabilidade, mas sem a natureza, sem o cheiro do mato, sem as águas limpas, e sem cidades organizadas, nada poderá ser sustentável. Não há como avançar sem calcular nossos passos.

Fernando Rebouças

Desenhista e escritor, não filiado e não partidário a nenhum partido político.

Sessão de autógrafos no 3° Salão de Niterói

No dia 29 de junho, a partir das 14h, Fernando Rebouças realizou sessão de autógrafos dos gibis do Oi! O Tucano Ecologista no 3° Salão de Leitura de Niterói, os gibis foram procurados pelos leitores  num dos estandes do MAD, em frente à exposição de caricaturas da prefeitura de Niterói. O 3° Salão de Leitura foi uma realização da Secretaria de Cultura de Niterói,  instalado no Teatro Popular, atrás do Terminal de ônibus (ao lado das barcas), centro de Niterói.

Crédito foto: Miguel Vasconcellos/FME

Cartaz de divulgação:

Informações sobre os gibis: www.loja.oiarte.com

Site: www.oiarte.com